quinta-feira, 25 de junho de 2026

Vivendo o incrível

Já tem quase 3 meses desde a minha jornada pela Escócia. A importância dessa aventura foi ficando cada vez mais transparente. A importância, na verdade, já era sabida, mas as razões, nem tanto. 

Vivi coisas que compartilhei com os meus íntimos, porque não tem valido a pena contar aos céticos. Não por serem céticos, mas porque desdenham. Se não desdenhassem, não me importaria de contar. Enfim, isso é o menos importante agora. Essa jornada se torna cada vez mais interessante e, também, surreal. Mas muito real. Minha jornada de volta à egrégora espiritual da qual eu pertenço, o contato com Odin e com minhas outras vidas e com outras conexões de alma, tais como amigos e familiares, espíritos já conhecidos por mim, tem tornado tudo muito especial. Tenho aprendido coisas novas sobre o mundo espiritual, confirmado outras e me vislumbrado com a perfeição da geometria da existência, da vida. 

Em contato com as minhas outras vidas/encarnações, como preferirem chamar, tenho aprendido cada vez mais sobre mim, sobre meus talentos, habilidades e desafios. Como pai Odin havia me dito, a ida para a Escócia é um divisor de águas na minha presente vida e na jornada do meu espírito. Tem ficado mais e mais evidente um trauma na lida com autoridade, esta sendo um gatilho que me oprime, me apequena e me coloca em lugares de morte. Seja em situações da vida, coisas e pessoas que passam por mim. Nesse sentido, pessoas e muitas outras coisas ficaram para trás. Para poder fazer isso, eu precisei aprender o meu valor, meus limites e validar a mim mesmo. Dar a mim a autoridade sobre a minha própria vida. Uma gerência que, em outras eras, havia me sido tirada. 

Do outro lado, retirei tudo e todos aqueles que me drenavam, abusavam de mim, das coisas que eu tinha que ofertar. Daqueles que juravam me amar, mas que estavam indisponíveis para uma conversa e parecia até mesmo um sacrifício me ver, vir me visitar. Depositavam uma culpabilização em qualquer outra coisa. Se eu tenho que me movimentar em sua direção para que nossa relação aconteça, eu me retiro. Podemos ter 1o e até mesmo 20 anos de relação, que isso já não mais importa. Durante esses tantos anos, tive que consolidar o conhecimento de que amor não é incondicional. Aqui, nem me refiro a namoros e coisas do tipo, mas a outras relações, principalmente, que foram com quais eu mais me decepcionei. 

Ainda falando sobre o abuso de poder e de autoridade, me refiro às relações de poder nas relações, nas coisas mais cotidianas. No desaparecer seguido de uma busca constante de mim, de aconselhamento e cuidado meu que eu não recebo de volta. A não reciprocidade. Invalidação, competição, silenciamento, ausência, invasão de limites... sempre com justificativas das mais sofridas possíveis. Estamos todos vivendo a experiência humana. Sofrimento não se mede e não se compara.

A autoridade está no desdém, no deboche, no comentário que desconsidera e subestima, no jogar no escuro da estante para depois procurar e usar quando precisar. Está no que não é consentido e no não reconhecimento de quem somos, de nossas capacidades, potências e dificuldades. Autoridade ignora e despreza, exceto quando precisa usar. O que não era sincero, sólido e recíproco não se faz mais presente.

Deixei tudo e todo mundo para trás. Dito isso, tenho passado por momentos muito transformadores e de reset na minha vida, que me levaram a ir embora da cidade de Porto Alegre. Todo esse processo tem sido bastante desafiador, porém me permitido respirar e pegar uma distância para revisitar os sentidos das coisas. O que não floriu mais já não era mais para ser. E tem o que caiu de podre, mesmo, lançado para bem longe. Assim, abriu espaço para outras relações, mais fortalecidas e em harmonia com o meu coração. Descobri habilidades que achei que jamais teria. Minha relação com meus deuses, deusas e com minhas entidades só se fortaleceram cada vez mais, em especial por hoje eu saber quem são, saber seus nomes e não mais precisar da roupagem de nomes e fundamentos vazios que aprendi na época dos terreiros com dirigentes trambiqueiros. Tudo isso do passado já parece tão, mas tão tão distante. E que bom! Foram dois anos que mais pareceram dois séculos de distância. Eu já sou outro. 

Na Escócia, segui o caminho das margaridas, as quais me deram pistas até um local muito especial que revelou segredos dos quais eu não devo esquecer. Ficarão em mim para sempre. Os dois corvos de Odin, como ele mesmo havia me dito, me acompanharam em todos os lugares que estive. Olhavam em meus olhos, grasnavam e me conduziam. Em alguns momentos, apenas pareciam me cumprimentar e dizer que estavam ali, fazendo companhia no trajeto. Visitei lugares que trouxeram memórias vívidas de uma das minhas outras encarnações. Memórias de momentos experienciados, incluindo emoções, sentimentos, pensamentos, informações locais, sobre pessoas e situações que vivi naquele momento lembrado. Senti e obtive informações complexas de coisas que eu não teria como saber simplesmente "do nada". Percorri caminhos que eu, há muito, havia percorrido. Lembrei do trajeto, lembrei das paisagens, lembrei da sensação que era o vento e o frio, a sensação do pisar naquela grama, as preocupações e angústias. Pensamentos muito específicos. Informações geográficas, climáticas e culturais que eu, enquanto Vincent, total desconhecia. Por isso que eu digo que, se eu contar, quase ninguém acredita. Encontrei, também, um amigo daquela vida. Vocês vão acreditar se eu disser que ele me reconheceu? Aproveitamos a companhia um do outro ao máximo como nos bons e velhos tempos. Eu havia, inclusive, sonhado com ele meses antes da viagem. Foi uma grande surpresa ter conhecido pessoalmente uma pessoa que eu achava que só existia em meus sonhos e nas mirações de Ayahuasca.

Eu pude ir até o local em que Odin apresentou a minha alma logo após o nascimento. Subi a montanha, fui muito alto em um dia de chuva, frio e vento absurdo. Senti a vibração daquela altura e como a energia dali me abraçava. Fui testemunho de mim mesmo. Ri, chorei de emoção, me senti tão grato a Odin por tudo. Ter que ir embora da Escócia deixou um gosto amargo na boca, o sabor da saudade que queima em meu peito e escorre nos olhos. Deixou o desejo de voltar outra vez e um ardor diferente de viver a vida. 


sexta-feira, 20 de março de 2026

Cansado demais.

 

Eu tô cansado. Tô cansado de ter que trabalhar todos os dias para ter acesso ao mínimo. Tô cansado de me sentir desvalorizado pelo mercado de trabalho. Tô cansado de ser desvalorizado e ser tratado mal, em alguns casos, no meu trabalho. Tô cansado de ter que sempre dar limites. Tô cansado de receber projeções de gente mal-resolvida. Tô cansado de gente com autoestima do tamanho de um grão-de-arroz. Tô cansado de gente em surto religioso. Tô cansado de gente que lida com as próprias frustrações culpabilizando o outro. Tô cansado de gente que terceiriza responsabilidades aos outros. Tô cansado de gente fudida. Tô cansado de gente que invalida o sentimento do outro. Tô cansado de gente que descarta a humanidade do outro. Tô cansado de gente com complexo de inferioridade e que acha que todo mundo é arrogante. Tô cansado de gente que trata animais e plantas como seres inferiores e menos importantes que humanos. Tô cansado de viver em um apartamento, em uma cidade urbana. Tô cansado de ver asfalto, muro e pouca vegetação. Tô cansado de não ouvir os cantos dos pássaros, sentir a brisa das árvores e de não poder pisar em terra livre de agrotóxico. Tô cansado dos serviços públicos ofertados com má qualidade. Tô cansado da profissão. Tô cansado da psicologia. Tô cansado para começar algo novo. Tô cansado também de aturar gente sem noção na rua e que maltrata bicho. Tô cansado do cara que bota o cachorro dele para brigar com a minha na grade do prédio em que eu moro – eu já soquei uma barra de ferro nele (no homem) e gritei para o bairro inteiro ouvir. Agora, ele só passa e cospe no chão quando me vê e troca de calçada. Tô cansado de gente imbecil. Tô cansado de pensamento pequeno e simplista. Tô cansado de gente que demanda demais dos outros e não sabe se retirar quando não tá bom. Tô cansado de ver gente e bicho passando fome. Tô cansado de ver gente passando necessidade. Tô cansado de passar sufoco também. Tô cansado de sentir que não existe muita perspectiva de carreira na profissão – tentando compreender que é algo do momento. Tô cansado de viver em moldes civilizatórios. Tô cansado do sistema monetário e da existência de dinheiro – mas preciso de dinheiro, pode mandar o PIX. Tô cansado de racismo. Tô cansado de transfobia. Tô cansado de gente abusiva e sem limite. Tô cansado da banalização da violência em sociedade e dos tantos feminicídios e transfeminicídios. Tô cansado de ver gente trans sendo bode expiatório. Tô cansado de guerras e da não compreensão de que há espaço para todo mundo nesse planeta. Tô cansado da crise climática. Tô cansado do verão, do calor e de não poder ir à praia. Tô cansado de sempre ter que me qualificar ainda mais e nunca parecer o suficiente, afinal, meu currículo ainda assim não satisfaz expectativas mercadológicas, porque um psicólogo não sabe programar Python. Tô cansado dessa cidade. Tô cansado de Porto Alegre. Tô cansado da inflação e do preço das coisas. Tudo muito caro. Tô cansado de não ter muito tempo para o que realmente importa na vida. Tô cansado da minha doença crônica intestinal, da fadiga, dos dias de dor, de como pesa no corpo e só um outro doente crônico entende. Tô cansado das instabilidades da vida. Tô cansado dos crimes cibernéticos, dos crimes de guerra e de ver a Palestina e seu povo exterminados. Tô cansado de chorar, impotente, pelos palestinos. Tô cansado daquelas cobranças de amar cultura latinoamericana. More... Eu sou romani. O que vocês chamam de cigano. A cultura na qual eu foi criado é outra, é ROMANI e não latinoamericana. Latinoamerica não é só geografia: é cultura, é território, é povo, é identidade. Não invalide e não cobre que um romani ignore sua própria cultura, sua família e suas tradições. Tô cansado, também, do colonialismo da latinoamérica: aqui não se fala espanhol, nem português! É brasileiro, é tupi e outros idiomas indígenas! Isso aqui é Brasil, porque se fosse Abya Yala, tudo seria diferente. Tô cansado do Brasil também. Não quero ressignificar nada. Amo as terras de Abya Yala e a proposta de povo e de vida dela.  Tô cansado de julgamentos. Cada um faz e gosta do que lhe interessar. Cada um tem que viver o que fizer sentido para si. E PONTO. TÔ CANSADO JÁ DISSO. Tô cansado, quero sumir no mundo, embarcar em um avião e ir para longe. É o que farei, inclusive, daqui a poucos dias: vou me refugiar onde minha alma e meu coração descansa.

 

Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado. Tô cansado.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Across the universe

 As coisas aqui vão bem. Descobertas seguem, mudanças diversas na vida em curso. Apesar disso, coisas para se preocupar como todo mundo. O fim do doutorado está batendo à porta já. Tenho data para a defesa da tese agora em março. A viagem se aproxima cada vez mais e a minha ansiedade sobe proporcionalmente. Apesar disso, me sinto pronto. O que essa nova etapa me reserva? Tenho aprendido a me tranquilizar com o que não é visível aos olhos, com o que é prometido e sentido. Superando desafios antigos, o que tem tornado o caminhar mais leve. 

 


 

sábado, 27 de dezembro de 2025

Lanternlight - Nightwish


 

I'm in the light and flood
I'm in the four winds
I'm the waves shaping pebbles flawless gems
I'm the snow on your palm 

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Vestindo jaquetas de emoções no gaélico escocês

À medida que um novo passo da minha jornada se aproxima em direção à Escócia no ano que vem, eu avanço nos estudos de gaélico escocês, idioma que tentei estudar quando eu tinha por volta dos meus 18-20 anos de idade, antes de entrar na minha graduação em Psicologia na federal. Aproximadamente 15 anos depois, deslizo por entre as páginas ensinantes de gaélico, fóruns de falantes e em lições do Duolingo. Há 15 anos, não havia material o suficiente disponível, apenas alguns pdfs que eu julgava confusos, os quais eu havia baixado em um grupo do Facebook de galícios, irlandeses e escoceses que ainda falam gaélico. 

Manter uma língua viva não é fácil, ainda mais depois das proibições da coroa britânica, como foi o caso da Escócia após derrota nas guerras de independência. Culloden foi o marco não só do símbolo de força, resistência e de amor àquela terra, mas também do apagamento da cultura dos povos celtas e norte-gaélicos, das culturas das highlands. Eu poderia falar muitas e muitas coisas sobre isso, mas nenhuma delas transmitiria o sentimento que é falar na Escócia.

Estudar um idioma é conhecer a cultura e as características de um tempo, um espaço e, por que não, como se compreende o que se sente? Tenho conhecido expressões interessantes que desnudam a cultura escocesa através do tempo, mas também tenho me surpreendido com como as emoções e os sentimentos eram comunicados, acima de tudo, sentidos. Para além de uma expressividade visceral e sincera, os gaélicos pareciam compreender que as emoções são passageiras; que elas não são definitivas. A raiva, a tristeza, o cansaço ou a alegria que sinto agora eu estou vestindo como se fosse uma jaqueta, mas pode ser que, daqui a pouco, eu esteja sem a jaqueta, mas vestindo uma camiseta mais simples. Digo isso porque percebi que a construção frasal para indicar que estou vestindo uma capa é semelhante para indicar que estou preocupado, apreensivo. Veja:


Tha cota orm. 

(Eu estou vestindo uma capa.) Tradução literal: A capa está em mim.


Tha dragh orm.

(Eu estou preocupado.) Tradução literal: A preocupação está em mim.


Inclusive, quando quero dizer que sinto algo por alguém, é como se eu falasse que a capa que estou vestindo eu coloco sobre alguém, por exemplo:

Tha gaol agam ort. 

(Eu te amo) Nota-se "agam", que é um possessivo que diz que "gaol" (amor) é o sentimento que tenho. "ort" é um pronome prepositivo que se usa para "vestir/usar/sentir", indica algo como "em você". 


Outros exemplos?

Tha gaol aig Màiri air Beathag. 

(Mari ama Beth) Em que a construção frasal basicamente nos diz que o amor de Mari está em/sobre/na Beth. 


Tha an t-acras orm. 

(Eu estou com fome/I am hungry). Literalmente, "A fome está em mim".


Tha an fhearg oirre.

(Ela está com raiva). Literalmente, "A raiva está nela".


Tha an deoch air Iain.

(Ian está bêbado). Literalmente, "A bebida está em Ian". 


Curioso, não? Entendo que essa maneira de dizer o que se sente ressalta a efemeridade das nossas emoções e permite expressar algumas ideias mais complexas como sentimentos de um jeito até mesmo poético. Retrata, basicamente, a comunicação de um período na história. É um outro jeito de perceber as coisas.


Em vista disso, vale apontar aqui que o gaélico escocês e a língua escocesa voltaram a ser idiomas oficiais do país nessa semana, juntamente do inglês britânico, segundo notícias recentes, o que é um grande movimento em direção à valorização da cultura escocesa. Em 2020, estudos apontavam que os idiomas gaélico escocês e a língua escocesa anglo-saxã corriam o risco de desaparecer. O número de falantes estava caindo em esquecimento. Lembro que li e ouvi em blogs escoceses que há múltiplas iniciativas que visam resgatar o idioma e a cultura, uma identidade nacional que remonta a história de perseverança, coragem e resistência da Escócia. 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Sobre Odin e chupins

 Dias tranquilos, uma vela acesa, um incenso de ervas queimando, meus móveis na cor preta e a companhia da minha cachorra, a Cacau. Livros à mesa, lápis, caneta, marcador de texto, folhas em branco e o aroma de um café preto açucarado ou a doçura de um hidromel. Natureza, verde, pés no chão. Céu nublado, vento frio. Esses são os dias que eu gosto e que eu quero para mim. Não consigo desejar qualquer outra coisa, além disso, de viagens, de viver da minha escrita e da pesquisa.

Foto: Arquivo Pessoal.


É a minha vida ideal: poder desfrutar das coisas bonitas e naturais desse mundo, sem ter que me preocupar com dinheiro e sem me estressar com outras pessoas. Viver tudo isso ao lado das minhas amizades, companheiros de vidas e é só isso. Comer bem. Sonho, projeto, vislumbro. Fecho os olhos, com os pés descalços, sentindo o chão e o vento que entra pela minha sacada. Sinto o cheiro do incenso e o calor da vela. Gosto de hidromel na boca, mãos com as palmas para cima, saudando Midgard, reverenciando os meus outros eus, Odin e a natureza linda que me circula. A possibilidade de sentir cada aroma, cada sabor, cada textura. Sensação de paz. De olhos fechados, não posso ver o Sol, mas posso senti-lo.

Os últimos dias desde o meu aniversário têm sido corridos, pois preciso finalizar alguns capítulos da minha tese, a qual está prestes a ser finalizada e defendida. Em breve, doutor, mas sem qualquer vaidade. É só uma etapa material do caminho nítido que estou traçando. A presença do Alfadhir, como sempre, nada sutil. Ele faz questão de mostrar o que está fazendo, quando está próximo e o que quer que eu entenda. Já escutei de outros filhos e filhas de Odin o mesmo. Sempre amoroso, cuidadoso e divertido (eu amo as piadocas desse véio!).

Dentro da tarefa que cumpriremos juntos, a qual anunciarei somente ano que vem durante a minha viagem, Odin tem feito coisas impressionantes na minha vida, tal como me direcionar a lugares certos, a pessoas certas para contatos e negociações também certos. Pessoas e convites têm chegado a mim, tudo conectado à nossa tarefa, ao nosso propósito. O meu deus não desenha nada em linhas tortas: ele é pragmático, certeiro e sábio. Literalmente “dito e feito”. Sabe o caminho e me apresenta como uma possibilidade, portanto eu devo escolher se quero ou não o que chega até mim. Tenho topado todas as oportunidades e tem sido uma experiência surpreendente. As coisas estão se materializando e fundamentando o que está por vir. Tenho comentado com amigos mais próximos os feitos de Odin e as novidades que chegam e eu acho que sempre acabamos chocados com tudo, embora não surpresos. Afinal, tem acontecido tudo o que ele disse (nas mirações da medicina sagrada) que faria por mim. Vez ou outra, escuto seus sussurros ao vento ou escuto-o através do meu hugr.

Eu o chamei no parágrafo acima de “meu deus”, mas ele costuma me corrigir: “deus não! Seu pai!”. Não poderia concordar mais, mas me referi a deus para conectar com outras ideias. Odin é o pai que lutou por mim, que me defendeu e me resgatou de volta para ele. É o pai que sempre teve orgulho de mim e que não tem vergonha de me apresentar ao mundo. Não há palavras que definam a figura paterna que ele é. Se alguém me dissesse o que estava por vir, há alguns anos, eu jamais acreditaria. Aqui no Brasil não tem corvo, nunca vi, mas fui acompanhado por eles em meus sonhos. Fisicamente, chupins costumavam pousar na janela do meu quarto quando eu era adolescente. Corvos, graúnas, chupins e outros tipos de espécie de pássaros negros rondavam não só o meu imaginário, mas marcavam presença em momentos bem simbólicos. Algumas vezes, acreditem ou não, traziam notícias de falecimento com data e nome, em meus sonhos. Pensava em Odin e me perguntava: “será?”. Eu era uma criança triste, deprimida e silenciada. Por circunstâncias diversas, sentia-me aprisionado. Vivia pela promessa de liberdade e encontrava paz, respiro e acolhida em Odin, na magia e em sentimentos os quais eu não sabia decifrar, mas que hoje eu já sei nomear. Minha esperança era eu mesmo.

Pesquisando em canal de busca para saber mais sobre chupins, encontrei referências que o nomeiam como uma praga de plantação de arroz e como um pássaro parasita que rouba o ninho de outras aves. Outro diz que é uma ave trapaceira, tal como Odin é conhecido em algumas histórias. Dizem que ele é um trickster, uma figura trapaceira e fofoqueira. Acho que não conheci o Odin trapaceiro, mas acho que posso dizer que conheço o lado fofoqueiro, de tanta coisa que ele já me contou sobre outras pessoas. Ele faz as notícias percorrerem o mundo. Sei, também, que ele gosta de uma boa charada, algumas das quais só ele ri depois de contar.

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Nasci mais uma vez

 Ontem, dia 27 de outubro, foi o meu 33º aniversário, pelo menos no calendário gregoriano. Poderia ter feito uma terceira cerimônia de Ayahuasca, uma extra, conforme dito por Odin na minha segunda consagração da medicina sagrada na madrugada entre o dia 16 e 17, mas me contentei em ainda aproveitar tudo o que vivenciei naquela madrugada.

Nesse meu aniversário, assim como vários outros, eu não fiz festa, não quis fazer grandes comemorações, porém preferi celebrar, coisa que não fazia há bastante tempo também. Escolhi celebrar de uma forma mais consciente, nutrindo amor por mim, pela vida, pelos meus outros fractais e pelo meu Eu Superior, pela nossa saga. Ao conhecer os meus outros eus, as minhas outras vidas, eu amei cada um deles e, assim, descobri o amor por mim mesmo. Não há presente maior do que esse: de fato, sentir esse amor próprio. Pela primeira vez, esse amor foi tão sincero, genuíno, verdadeiro. Eu entendi.

Somos filhos de Samhain, gestados em sete noites, por sete anos, em uma grande pira de um Alfabót. Essa foi uma consagração a qual é bastante privada e não conseguiria compartilhar tantas informações incríveis que vivi e descobri sobre mim, sobre os meus outros eus e pessoas a minha volta. Outras informações, eu posso comunicar muito brevemente. Meu Zé Pelintra, o qual se trata de meu falecido avô nesta vida, já subiu. Agora, outro assume como frenteiro. Sou grato ao Zé, vulgo meu vô Alfredo, por tudo o que fez por mim e pelo amor que nutrimos por tantas e tantas vidas. Eu o eximi de todos os compromissos espirituais que ele sentia que tinha comigo e por todos os sacrifícios que fez por mim para que eu pudesse viver mais uma e última vez.

Eu e meus outros eus somos 7. São sete caboclos, sete estrelas, sete coroas de aloés. São sete guerreiros, sete flechadas, sete maneiras de se curar.

O Vincent é o último e o que sela e conclui a nossa saga de experiências neste mundo material. Vincent, assim como o seu nome fala por si só, é vencedor. Como dito por Odin, ele é a promessa de amor ancestral. E esta promessa de amor ancestral foi comemorada, a partir da celebração de todas as infâncias, de todas as minhas vidas. Um momento lindo, único, muito emocional que vivi na última consagração. Ao fim de tantas descobertas inscríveis, de contatos com as minhas fractais, de momentos de amor, carinho, respeito e de cura das dores da minha vida como o norueguês pescador e viking, chegou um momento muito especial. Eu vi o nascimento do meu Eu Superior. Depois da minha alma ter sido gestada na egrégora espiritual asgardina, Freya/Frigga me entregou, recém-nascido, ao colo de Odin, o qual me envolveu com muito amor em seus braços, em seu manto acinzentado. Ali, na beira de um precipício, sob os raios de sol, uma nuvem rosa perolada surgiu ao meu redor, com runas desenhadas no ar. Odin cochichava para mim. Ao mostrar essa cena, ele diz que ele me encantou com o feitiço mais poderoso desse universo inteiro. E eu entendi que era o seu amor.

Imagem gerada por IA, tentando remontar algo daquela cena.


“Assim como eu te trouxe ao mundo e te levei a ele, te apresentei com muito orgulho. Dessa vez, não seria diferente. Filho, eu te levo e te apresento ao mundo mais uma vez. Hoje, tu nasce para a vida.” Assim, presenciei o meu nascimento naquela madrugada. 

Semanas atrás, ele havia pedido para eu comprar um bracelete, o qual chegou com uma semana de antecedência do previsto, justamente horas antes da consagração da medicina. O momento final da medicina foi a consagração do bracelete por Odin, em que eu me senti consagrado, celebrado, coroado e batizado. Reconhecido. Odin levantou o bracelete ao alto. “Esse bracelete é para que tu te lembre de quem tu é; é uma promessa de amor. O nosso amor de pai e de filho. Tu é a promessa de liberdade dos teus ancestrais. Uma promessa de amor. Onde tu for, essa promessa te acompanhará. Onde tu for, eu te acompanharei. Onde tu for, estaremos todos contigo”. Cenas foram me sendo apresentadas. Eu, na ilha de Skye, na Escócia, segurando o bracelete no topo de uma rocha. A energia asgardina e de Odin vibrando forte. O amor de Odin preenchendo o meu coração. E, de repente, ao meu lado, os outros seis.


Foto: Arquivo Pessoal.


Vivendo o incrível

Já tem quase 3 meses desde a minha jornada pela Escócia. A importância dessa aventura foi ficando cada vez mais transparente. A importânci...