sábado, 27 de dezembro de 2025

Lanternlight - Nightwish


 

I'm in the light and flood
I'm in the four winds
I'm the waves shaping pebbles flawless gems
I'm the snow on your palm 

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Vestindo jaquetas de emoções no gaélico escocês

À medida que um novo passo da minha jornada se aproxima em direção à Escócia no ano que vem, eu avanço nos estudos de gaélico escocês, idioma que tentei estudar quando eu tinha por volta dos meus 18-20 anos de idade, antes de entrar na minha graduação em Psicologia na federal. Aproximadamente 15 anos depois, deslizo por entre as páginas ensinantes de gaélico, fóruns de falantes e em lições do Duolingo. Há 15 anos, não havia material o suficiente disponível, apenas alguns pdfs que eu julgava confusos, os quais eu havia baixado em um grupo do Facebook de galícios, irlandeses e escoceses que ainda falam gaélico. 

Manter uma língua viva não é fácil, ainda mais depois das proibições da coroa britânica, como foi o caso da Escócia após derrota nas guerras de independência. Culloden foi o marco não só do símbolo de força, resistência e de amor àquela terra, mas também do apagamento da cultura dos povos celtas e norte-gaélicos, das culturas das highlands. Eu poderia falar muitas e muitas coisas sobre isso, mas nenhuma delas transmitiria o sentimento que é falar na Escócia.

Estudar um idioma é conhecer a cultura e as características de um tempo, um espaço e, por que não, como se compreende o que se sente? Tenho conhecido expressões interessantes que desnudam a cultura escocesa através do tempo, mas também tenho me surpreendido com como as emoções e os sentimentos eram comunicados, acima de tudo, sentidos. Para além de uma expressividade visceral e sincera, os gaélicos pareciam compreender que as emoções são passageiras; que elas não são definitivas. A raiva, a tristeza, o cansaço ou a alegria que sinto agora eu estou vestindo como se fosse uma jaqueta, mas pode ser que, daqui a pouco, eu esteja sem a jaqueta, mas vestindo uma camiseta mais simples. Digo isso porque percebi que a construção frasal para indicar que estou vestindo uma capa é semelhante para indicar que estou preocupado, apreensivo. Veja:


Tha cota orm. 

(Eu estou vestindo uma capa.) Tradução literal: A capa está em mim.


Tha dragh orm.

(Eu estou preocupado.) Tradução literal: A preocupação está em mim.


Inclusive, quando quero dizer que sinto algo por alguém, é como se eu falasse que a capa que estou vestindo eu coloco sobre alguém, por exemplo:

Tha gaol agam ort. 

(Eu te amo) Nota-se "agam", que é um possessivo que diz que "gaol" (amor) é o sentimento que tenho. "ort" é um pronome prepositivo que se usa para "vestir/usar/sentir", indica algo como "em você". 


Outros exemplos?

Tha gaol aig Màiri air Beathag. 

(Mari ama Beth) Em que a construção frasal basicamente nos diz que o amor de Mari está em/sobre/na Beth. 


Tha an t-acras orm. 

(Eu estou com fome/I am hungry). Literalmente, "A fome está em mim".


Tha an fhearg oirre.

(Ela está com raiva). Literalmente, "A raiva está nela".


Tha an deoch air Iain.

(Ian está bêbado). Literalmente, "A bebida está em Ian". 


Curioso, não? Entendo que essa maneira de dizer o que se sente ressalta a efemeridade das nossas emoções e permite expressar algumas ideias mais complexas como sentimentos de um jeito até mesmo poético. Retrata, basicamente, a comunicação de um período na história. É um outro jeito de perceber as coisas.


Em vista disso, vale apontar aqui que o gaélico escocês e a língua escocesa voltaram a ser idiomas oficiais do país nessa semana, juntamente do inglês britânico, segundo notícias recentes, o que é um grande movimento em direção à valorização da cultura escocesa. Em 2020, estudos apontavam que os idiomas gaélico escocês e a língua escocesa anglo-saxã corriam o risco de desaparecer. O número de falantes estava caindo em esquecimento. Lembro que li e ouvi em blogs escoceses que há múltiplas iniciativas que visam resgatar o idioma e a cultura, uma identidade nacional que remonta a história de perseverança, coragem e resistência da Escócia. 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Sobre Odin e chupins

 Dias tranquilos, uma vela acesa, um incenso de ervas queimando, meus móveis na cor preta e a companhia da minha cachorra, a Cacau. Livros à mesa, lápis, caneta, marcador de texto, folhas em branco e o aroma de um café preto açucarado ou a doçura de um hidromel. Natureza, verde, pés no chão. Céu nublado, vento frio. Esses são os dias que eu gosto e que eu quero para mim. Não consigo desejar qualquer outra coisa, além disso, de viagens, de viver da minha escrita e da pesquisa.

Foto: Arquivo Pessoal.


É a minha vida ideal: poder desfrutar das coisas bonitas e naturais desse mundo, sem ter que me preocupar com dinheiro e sem me estressar com outras pessoas. Viver tudo isso ao lado das minhas amizades, companheiros de vidas e é só isso. Comer bem. Sonho, projeto, vislumbro. Fecho os olhos, com os pés descalços, sentindo o chão e o vento que entra pela minha sacada. Sinto o cheiro do incenso e o calor da vela. Gosto de hidromel na boca, mãos com as palmas para cima, saudando Midgard, reverenciando os meus outros eus, Odin e a natureza linda que me circula. A possibilidade de sentir cada aroma, cada sabor, cada textura. Sensação de paz. De olhos fechados, não posso ver o Sol, mas posso senti-lo.

Os últimos dias desde o meu aniversário têm sido corridos, pois preciso finalizar alguns capítulos da minha tese, a qual está prestes a ser finalizada e defendida. Em breve, doutor, mas sem qualquer vaidade. É só uma etapa material do caminho nítido que estou traçando. A presença do Alfadhir, como sempre, nada sutil. Ele faz questão de mostrar o que está fazendo, quando está próximo e o que quer que eu entenda. Já escutei de outros filhos e filhas de Odin o mesmo. Sempre amoroso, cuidadoso e divertido (eu amo as piadocas desse véio!).

Dentro da tarefa que cumpriremos juntos, a qual anunciarei somente ano que vem durante a minha viagem, Odin tem feito coisas impressionantes na minha vida, tal como me direcionar a lugares certos, a pessoas certas para contatos e negociações também certos. Pessoas e convites têm chegado a mim, tudo conectado à nossa tarefa, ao nosso propósito. O meu deus não desenha nada em linhas tortas: ele é pragmático, certeiro e sábio. Literalmente “dito e feito”. Sabe o caminho e me apresenta como uma possibilidade, portanto eu devo escolher se quero ou não o que chega até mim. Tenho topado todas as oportunidades e tem sido uma experiência surpreendente. As coisas estão se materializando e fundamentando o que está por vir. Tenho comentado com amigos mais próximos os feitos de Odin e as novidades que chegam e eu acho que sempre acabamos chocados com tudo, embora não surpresos. Afinal, tem acontecido tudo o que ele disse (nas mirações da medicina sagrada) que faria por mim. Vez ou outra, escuto seus sussurros ao vento ou escuto-o através do meu hugr.

Eu o chamei no parágrafo acima de “meu deus”, mas ele costuma me corrigir: “deus não! Seu pai!”. Não poderia concordar mais, mas me referi a deus para conectar com outras ideias. Odin é o pai que lutou por mim, que me defendeu e me resgatou de volta para ele. É o pai que sempre teve orgulho de mim e que não tem vergonha de me apresentar ao mundo. Não há palavras que definam a figura paterna que ele é. Se alguém me dissesse o que estava por vir, há alguns anos, eu jamais acreditaria. Aqui no Brasil não tem corvo, nunca vi, mas fui acompanhado por eles em meus sonhos. Fisicamente, chupins costumavam pousar na janela do meu quarto quando eu era adolescente. Corvos, graúnas, chupins e outros tipos de espécie de pássaros negros rondavam não só o meu imaginário, mas marcavam presença em momentos bem simbólicos. Algumas vezes, acreditem ou não, traziam notícias de falecimento com data e nome, em meus sonhos. Pensava em Odin e me perguntava: “será?”. Eu era uma criança triste, deprimida e silenciada. Por circunstâncias diversas, sentia-me aprisionado. Vivia pela promessa de liberdade e encontrava paz, respiro e acolhida em Odin, na magia e em sentimentos os quais eu não sabia decifrar, mas que hoje eu já sei nomear. Minha esperança era eu mesmo.

Pesquisando em canal de busca para saber mais sobre chupins, encontrei referências que o nomeiam como uma praga de plantação de arroz e como um pássaro parasita que rouba o ninho de outras aves. Outro diz que é uma ave trapaceira, tal como Odin é conhecido em algumas histórias. Dizem que ele é um trickster, uma figura trapaceira e fofoqueira. Acho que não conheci o Odin trapaceiro, mas acho que posso dizer que conheço o lado fofoqueiro, de tanta coisa que ele já me contou sobre outras pessoas. Ele faz as notícias percorrerem o mundo. Sei, também, que ele gosta de uma boa charada, algumas das quais só ele ri depois de contar.

Vivendo o incrível

Já tem quase 3 meses desde a minha jornada pela Escócia. A importância dessa aventura foi ficando cada vez mais transparente. A importânci...