quinta-feira, 25 de junho de 2026

Vivendo o incrível

Já tem quase 3 meses desde a minha jornada pela Escócia. A importância dessa aventura foi ficando cada vez mais transparente. A importância, na verdade, já era sabida, mas as razões, nem tanto. 

Vivi coisas que compartilhei com os meus íntimos, porque não tem valido a pena contar aos céticos. Não por serem céticos, mas porque desdenham. Se não desdenhassem, não me importaria de contar. Enfim, isso é o menos importante agora. Essa jornada se torna cada vez mais interessante e, também, surreal. Mas muito real. Minha jornada de volta à egrégora espiritual da qual eu pertenço, o contato com Odin e com minhas outras vidas e com outras conexões de alma, tais como amigos e familiares, espíritos já conhecidos por mim, tem tornado tudo muito especial. Tenho aprendido coisas novas sobre o mundo espiritual, confirmado outras e me vislumbrado com a perfeição da geometria da existência, da vida. 

Em contato com as minhas outras vidas/encarnações, como preferirem chamar, tenho aprendido cada vez mais sobre mim, sobre meus talentos, habilidades e desafios. Como pai Odin havia me dito, a ida para a Escócia é um divisor de águas na minha presente vida e na jornada do meu espírito. Tem ficado mais e mais evidente um trauma na lida com autoridade, esta sendo um gatilho que me oprime, me apequena e me coloca em lugares de morte. Seja em situações da vida, coisas e pessoas que passam por mim. Nesse sentido, pessoas e muitas outras coisas ficaram para trás. Para poder fazer isso, eu precisei aprender o meu valor, meus limites e validar a mim mesmo. Dar a mim a autoridade sobre a minha própria vida. Uma gerência que, em outras eras, havia me sido tirada. 

Do outro lado, retirei tudo e todos aqueles que me drenavam, abusavam de mim, das coisas que eu tinha que ofertar. Daqueles que juravam me amar, mas que estavam indisponíveis para uma conversa e parecia até mesmo um sacrifício me ver, vir me visitar. Depositavam uma culpabilização em qualquer outra coisa. Se eu tenho que me movimentar em sua direção para que nossa relação aconteça, eu me retiro. Podemos ter 1o e até mesmo 20 anos de relação, que isso já não mais importa. Durante esses tantos anos, tive que consolidar o conhecimento de que amor não é incondicional. Aqui, nem me refiro a namoros e coisas do tipo, mas a outras relações, principalmente, que foram com quais eu mais me decepcionei. 

Ainda falando sobre o abuso de poder e de autoridade, me refiro às relações de poder nas relações, nas coisas mais cotidianas. No desaparecer seguido de uma busca constante de mim, de aconselhamento e cuidado meu que eu não recebo de volta. A não reciprocidade. Invalidação, competição, silenciamento, ausência, invasão de limites... sempre com justificativas das mais sofridas possíveis. Estamos todos vivendo a experiência humana. Sofrimento não se mede e não se compara.

A autoridade está no desdém, no deboche, no comentário que desconsidera e subestima, no jogar no escuro da estante para depois procurar e usar quando precisar. Está no que não é consentido e no não reconhecimento de quem somos, de nossas capacidades, potências e dificuldades. Autoridade ignora e despreza, exceto quando precisa usar. O que não era sincero, sólido e recíproco não se faz mais presente.

Deixei tudo e todo mundo para trás. Dito isso, tenho passado por momentos muito transformadores e de reset na minha vida, que me levaram a ir embora da cidade de Porto Alegre. Todo esse processo tem sido bastante desafiador, porém me permitido respirar e pegar uma distância para revisitar os sentidos das coisas. O que não floriu mais já não era mais para ser. E tem o que caiu de podre, mesmo, lançado para bem longe. Assim, abriu espaço para outras relações, mais fortalecidas e em harmonia com o meu coração. Descobri habilidades que achei que jamais teria. Minha relação com meus deuses, deusas e com minhas entidades só se fortaleceram cada vez mais, em especial por hoje eu saber quem são, saber seus nomes e não mais precisar da roupagem de nomes e fundamentos vazios que aprendi na época dos terreiros com dirigentes trambiqueiros. Tudo isso do passado já parece tão, mas tão tão distante. E que bom! Foram dois anos que mais pareceram dois séculos de distância. Eu já sou outro. 

Na Escócia, segui o caminho das margaridas, as quais me deram pistas até um local muito especial que revelou segredos dos quais eu não devo esquecer. Ficarão em mim para sempre. Os dois corvos de Odin, como ele mesmo havia me dito, me acompanharam em todos os lugares que estive. Olhavam em meus olhos, grasnavam e me conduziam. Em alguns momentos, apenas pareciam me cumprimentar e dizer que estavam ali, fazendo companhia no trajeto. Visitei lugares que trouxeram memórias vívidas de uma das minhas outras encarnações. Memórias de momentos experienciados, incluindo emoções, sentimentos, pensamentos, informações locais, sobre pessoas e situações que vivi naquele momento lembrado. Senti e obtive informações complexas de coisas que eu não teria como saber simplesmente "do nada". Percorri caminhos que eu, há muito, havia percorrido. Lembrei do trajeto, lembrei das paisagens, lembrei da sensação que era o vento e o frio, a sensação do pisar naquela grama, as preocupações e angústias. Pensamentos muito específicos. Informações geográficas, climáticas e culturais que eu, enquanto Vincent, total desconhecia. Por isso que eu digo que, se eu contar, quase ninguém acredita. Encontrei, também, um amigo daquela vida. Vocês vão acreditar se eu disser que ele me reconheceu? Aproveitamos a companhia um do outro ao máximo como nos bons e velhos tempos. Eu havia, inclusive, sonhado com ele meses antes da viagem. Foi uma grande surpresa ter conhecido pessoalmente uma pessoa que eu achava que só existia em meus sonhos e nas mirações de Ayahuasca.

Eu pude ir até o local em que Odin apresentou a minha alma logo após o nascimento. Subi a montanha, fui muito alto em um dia de chuva, frio e vento absurdo. Senti a vibração daquela altura e como a energia dali me abraçava. Fui testemunho de mim mesmo. Ri, chorei de emoção, me senti tão grato a Odin por tudo. Ter que ir embora da Escócia deixou um gosto amargo na boca, o sabor da saudade que queima em meu peito e escorre nos olhos. Deixou o desejo de voltar outra vez e um ardor diferente de viver a vida. 


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